Um dos erros mais comuns no dimensionamento de geradores é considerar apenas a potência de operação. Motores e compressores demandam, na partida, uma corrente muito superior à nominal por alguns instantes. Se o gerador não for preparado para esse pico, a tensão cai, outros equipamentos desligam e a partida pode falhar.
O que acontece na partida
Um motor de indução parado se comporta quase como um curto-circuito. Ao ser energizado, absorve uma corrente inicial que, em partida direta, costuma ficar em vários múltiplos da corrente nominal. À medida que ganha rotação, a corrente cai até o valor de regime.
Para o gerador, isso significa um pico de kVA, durante o qual a tensão tende a afundar. O alternador e o regulador de tensão precisam suportar o transitório.
Compressores têm ainda um detalhe
Compressores, especialmente os que partem sob pressão, exigem torque elevado e prolongam a corrente de partida. Em compressores de ar, a existência de válvula de alívio na partida ajuda bastante. Verifique o tipo de partida antes de definir a potência do gerador.
Métodos de partida
- Direta: simples, mas com o maior pico de corrente.
- Estrela-triângulo: reduz a corrente de partida, com perda de torque inicial.
- Chave compensadora: usa autotransformador para limitar a corrente.
- Soft-starter: rampa de tensão que suaviza a partida.
- Inversor de frequência: controla a rotação e limita a corrente, com a ressalva de gerar harmônicos.
Como dimensionar considerando a partida
O procedimento básico é separar as cargas que operam em regime das que partem. Calcule o kVA de regime, depois verifique, para o maior motor, qual seria o kVA de partida, somado às cargas já em funcionamento. O gerador deve ser capaz de suportar essa condição sem queda de tensão excessiva.
Em muitos casos, a condição de partida do maior motor é que define a potência do gerador, e não a soma das cargas em regime.
Sequenciamento de cargas
Partir todos os motores ao mesmo tempo é o pior cenário. O sequenciamento, feito por temporizadores no QTA ou por automação, liga as cargas em degraus. Começa-se pelos motores maiores, ainda com o gerador sem carga, e depois entram os demais. Isso permite um gerador menor e mais eficiente.
Impactos de uma partida mal planejada
- Afundamento de tensão e desligamento de contatores.
- Reset de CLPs e computadores.
- Queda de frequência e instabilidade do motor.
- Falha na partida e acionamento de proteções.
- Desgaste do alternador e do motor diesel.
Normas e boas práticas
A ISO 8528 trata do desempenho de grupos geradores, inclusive de seu comportamento em transitórios de carga. A NBR 5410 orienta as instalações elétricas de baixa tensão, e a NR-10, a segurança em serviços com eletricidade.
O papel da locação
Por ser difícil prever a partida real de cada máquina, a locação oferece flexibilidade: é possível testar a instalação e ajustar o equipamento. Nossa equipe realiza o levantamento dos motores e dos métodos de partida antes do contrato e indica a configuração adequada. Informe os motores na calculadora de kVA e peça uma validação técnica.
Um exemplo conceitual
Imagine uma instalação com várias cargas em regime e um único motor grande que parte direto. Mesmo que a soma das cargas pareça pequena para o gerador, a partida desse motor pode exigir muito mais kVA durante poucos instantes. Trocar a partida direta por um soft-starter, ou escalonar a entrada das cargas, pode evitar a necessidade de um gerador maior. É um exemplo ilustrativo, e o estudo da sua instalação mostra os números reais.



